As 7 Cartas do Apocalipse – Éfeso

Carta para Igreja de Éfeso

 

Significado do nome: “Relaxamento”

Período: Final do primeiro século

Mensagem Profética: Condição espiritual da Igreja no final do primeiro século

Repreensão: Perda do Primeiro Amor

 

Sete Estrelas e Sete Castiçais (Ap 2:1)

“Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro” – Ap 2:1.

Um ponto bastantes discutido, se refere ao significados dos sete castiçais e das sete estrelas. No capítulo 1 versículo 20, o Senhor revela o mistério:

O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas.

A interpretação mais comum diz que os Anjos são os líderes das igrejas locais. Porém, como ir além daquilo que o Senhor mesmo explicou? Se o Senhor explicou o mistério dizendo que os candeeiros são igrejas e as estrelas são anjos, faço as palavras do autor do livro as minhas: “Não podemos dar outro significado ao termo ‘igreja’. E quanto o termo ‘anjo’? O Senhor disse que as Sete Estrelas são os Anjos das Sete Igrejas. Diante disso, não temos permissão para dar outra explicação para eles”.

 

“Conheço…” (Ap 2:2a)

No começo da carta, o Senhor diz “Conheço as tuas obras…”. O que se aprende deste versículo é a profundidade do saber de Deus. Ele não vê apenas o exterior. O Senhor conhece as intenções, a motivação e o alvo final. Mesmo a igreja de Éfeso possuindo coisas positivas, não passou no teste do Senhor. Hoje podemos ter uma igreja cheia de eventos, e de pessoas, porém, o Senhor vai além disso e sabe avaliar a saúde do Corpo Dele. Délcio diz: “Tudo pode estar no lugar certo, mas sem vida. Um cemitério está sempre limpo e repleto de flores, porém é lugar para mortos. Um hospital deve ser um exemplo de higiene, mas é um lugar para doentes.” – p. 93.

 

Má Conduta Repreendida (Ap 2:2a)

Em meio aos elogios iniciais, o Senhor coloca “Sei que você não pode tolerar homens maus”, esse versículo está ressaltando uma característica que tem sido esquecida na igreja “contemporânea”: a intolerância àquilo que Deus abomina e que afeta o Corpo de Cristo (escandalizando os de dentro e os de fora). “Os irmãos que não andavam de maneira digna do Evangelho eram disciplinados e qualquer  manifestação carnal era levada a sério” – p. 96. Igreja é igreja. E os que são de dentro, devem buscar esta qualidade colocada pelo Senhor. Este cuidado é de suma importância no que diz respeito a saúde do corpo. O que seria da igreja se toda ela partisse do pressuposto de que existe para os de fora? Não seria estranho este elogio da parte do Senhor? Se fosse para os de fora, a não tolerância a homens maus deveria ser motivo de repreensão do Senhor e não um elogio.

 

Apóstolos (Ap 2:2b)

Para minha surpresa, o autor do livro tocou em um ponto contundente nos dias de hoje. Tirando de lado toda banalização que infelizmente existe e analisando o que a palavra de Deus diz, fica claro que existem apóstolos além dos doze. Citarei apenas um argumento, pois abordarei este assunto em outro post. O apóstolo João escreveu o livro das Revelações por volta de 95 d.C. e nesta ocasião só restava ele dos doze. Desta maneira, qual seria a necessidade em se identificar os falsos apóstolos, se neste momento só existia um (João)? Se existissem somente doze, a igreja de Éfeso colocava falsos apóstolos a prova a toa. Afinal, seria óbvio que não haveria mais nenhum.

Para mais detalhes sobre este assunto o autor Délcio Meireles sugere a leitura do livro “A Vida Normal da Igreja Cristã”, do W. Nee.

 

Abandono ao Primeiro Amor (Ap 2:4)

Quando Paulo escreve sua epístola aos Efésios, fica evidente a fé, santidade e conhecimento que possuíam do Senhor Jesus. Porém, nesta carta do livro das Revelações, escrita cerca de 30 anos mais tarde, já se pode notar uma decadência. “O primeiro século estava terminando e uma nova geração de cristãos surgia, a qual mostrava certa dose de devoção a Cristo, talvez mais por tradição do que por experiência pessoal” – p.88.

 

Nicolaítas (Ap 2:6)

“Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio” – Ap 2.6. O termo Nicolaítas é formado de duas palavras gregas: nikau (dominar) e laos (povo). Este nome é simbólico e não há nenhum registro de nenhuma seita com este nome. Mesmo assim, o peso destes “nicolaítas” é bem maior do que se possa imaginar. “Nicolaítas refere-se a um grupo de pessoas comuns que se auto avaliam muito acima dos crentes comuns” – W. Nee, Ortodoxia da Igreja, pg 19. No decorrer do estudo das cartas veremos o impacto deste grupo ao longo dos anos da história da igreja.

 

Vencedores (Ap 2:7)

“quem tem ouvido ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor…”. Note que nas 3 primeiras cartas a chamada para ouvir o Espírito vem primeiro e em seguida vem a promessa aos vencedores. Nas últimas 4 cartas a ordem é invertida. “Visto que as igrejas representam sete períodos distintos da sua história, temos uma indicação de que até o ano 600 d.C. havia uma possibilidade de toda a igreja ouvir a chamada do Espírito, mas depois disso não.” – p. 108.

Fato é que se há vencedores existem também os não vencedores. G. H. Lang disse: “Se todos os cristãos são vencedores, como será possível no fim desta era que ‘o amor de muitos (da maioria) esfriará’ (Mt 24.12)?”.

 

Conclusão

“O termo primeiro em grego é proten e não se refere apenas a primazia na questão de tempo, mas principalmente de natureza. A palavra ‘melhor’ usada no vestido do Filho Pródigo em Lucas 15 também é proten. Não era o ‘primeiro’ vestido, mas o ‘melhor’ vestido. O mesmo acontece com o cristão em buscar o reino de Deus em ‘primeiro’ lugar (Mt 6.33). Não se trata apenas de colocar as coisas de Deus em primeiro lugar no sentido de realizar coisas, porque isto a igreja de Éfeso fez. Um filho de Deus pode dedicar sua vida na realização de obras para o Senhor e mesmo assim cometer o erro da igreja de Éfeso. Nosso Senhor não busca quantidade, mas principalmente qualidade.” – p.98.

Creio que este trecho do livro conclui a principal mensagem desta carta.

 

Deus nos abençoe,

André Aneas

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