Círculo Teológico-Filosófico

A existência do Círculo Teológico-Filosófico é algo que devemos estar convictos. Além disso, é fundamental nossa compreensão a respeito deste círculo. Fundamental porque para aqueles que estudam teologia e farão teologia, o não entendimento do círculo, ou ciclo, pelo qual o teólogo vai caminhar, acatando ou não preposições argumentadas, poderá acarretar em uma inocência passível de questionamento por parte dos receptores de sua teologia, sejam eles receptores de uma teologia prática ou “acadêmica”.

O filósofo tem por “vocação” o compromisso com a busca pela verdade. Esta “verdade” não é absoluta, pois sempre está passível de ser questionada, alterada, evoluída ou expandida. Devido ao seu compromisso com a verdade, cabe ao filósofo se abster de toda e qualquer influência sua ou de outrem que contamine os resultado de sua busca. Ao filósofo cabe se manter genérico e abstrato suficiente para que esta verdade se aplique de maneira essencial.

Levando em consideração que a filosofia tem desde seus primórdios o que consideramos “científico”, por levar em consideração métodos para se investigar a verdade (observação, empirismo, raciocínio), entende-se que o filósofo da religião deverá tratar deste tema – religião – com as mesmas premissas que cabem ao filósofo. Entretanto, nos iludiríamos se nos convencêssemos de que nada que o filósofo carrega em sua “bagagem” cultural influencia no resultado por sua busca pela verdade genérica e abstrata suficientemente capaz de suprir as expectativas válidas acerca da religião. Mesmo assim, o filósofo da religião possui sua vocação voltada para seu compromisso com a filosofia, e tudo o que este termo implica.

Paul Tillich critica o chamado “Teólogo Científico”, pois por ser teólogo tem em si – ou deveria ter – o compromisso (vocação?) para com a mensagem cristã. Ou seja, tendo ele um ponto de partida concreto e não sendo nada genérico ou abstrato, a ponto de buscar a verdade independente de suas convicções, ele quebra o que seria fundamental para o filósofo. O autor coloca que a tentativa deste “Teólogo Científico” de sobressair o Filósofo da Religião, porque busca imputar a mensagem cristã com auxílio de seu método, só pode ter dois resultados: 1. Ele é filosofo da religião, pois dilui a mensagem cristã em seu conceito de Religião, tornando o Cristianismo mais um caminho, atitude que, para Tillich, já tornaria seu acesso ao círculo teológico impedido; 2. Ele é – se torna – um Teólogo de fato, e busca atribuir suas verdades de maneira universal, fazendo parte do círculo teológico. Tillich entende que o “Teólogo Científico”, ao assumir a segunda posição deveria deixar de se colocar como científico e se assumir teólogo. Outra observação importante é que Tillich considera que o Teólogo Científico é na verdade um Filósofo da Religião.

Portanto, é possível compreender que o Círculo Teológico-Filosófico é para o Teólogo o momento em que ele passa a abrir diálogo para questões filosóficas – naturalmente científicas, dentro das mais diversas disciplinas – sendo colocado em “cheque”, pois se torna necessário rever e tomar posições sobre diversos assuntos teológicos. Para alguns, este “diálogo” é considerado saudável e muito proveito, muito embora Tillich tem uma posição crítica quanto a estes, pois acabam por ser Filósofos da Religião. Já outros, naturalmente mais ortodoxos, tendem a olhar este “desbravamento” e “idas e vindas” (círculo) do teólogo à filosofia – da religião ou não – com mais cautela, cientes de riscos de comprometer o compromisso inicial do teólogo: a mensagem cristã.

André Anéas / Cláudio / Orfeu

Bibliografia:

TILLICH, Paul. Teologia Sistemática. 6. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2005.

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Conclusão [“Independência” é Morte]

O grande erro da maioria dos que buscam “independência” é a independência de Deus. Só é possível chegar neste estado sendo dependente Dele, pois Nele a verdadeira “independência” é conquistada. E mesmo depois de alcançado este estado, morrendo, permanecemos dependentes. E como é bom ser dependente daquele que nos fez… É apaixonante, convincente e inspirador!

André Anéas

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1/9 – Introdução [“Independência” é Morte]

2/9 – Jesus: Grande Líder “Da Causa” [“Independência” é Morte]

3/9 – E Quanto a Nós? [“Independência” é Morte]

4/9 – Características do Mestre: Paixão [“Independência” é Morte]

5/9 – Características do Mestre: Convicção [“Independência” é Morte]

6/9 – Características do Mestre: Inspiração [“Independência” é Morte]

7/9 – Desafio 1: Morrer [“Independência” é Morte]

8/9 – Desafio 2: Paixão, Convicção e Inspiração [“Independência” é Morte]

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Desafio 2: Paixão, Convicção e Inspiração [“Independência” é Morte]

Sendo nós cristãos, fazemos parte da igreja do nosso Senhor e temos uma missão: ser sal. Ou seja, fazer diferença nesta terra. Agora eu te pergunto: se não formos cristãos apaixonado, convictos e, consequentemente, inspiradores, de que maneira faremos diferença aqui na terra? Talvez você possa achar que possui estas características. Mas creio eu que devemos nos examinar, como as Escrituras nos orientam.

  • Tenho paixão pelas coisas do Reino de Deus? Por Jesus? Pela igreja?
  • Estou convicto de que Ele é a verdade?
  • Sou inspirado e as pessoas ao meu redor são inspiradas pela minha paixão e minha convicção?

Paixão

Deve haver em nós sentimento, emoção, paixão por Jesus! Quando nós acordamos, nosso primeiro pensamento precisar ser Ele, quando nos deitamos, nosso último pensamento deve ser Ele. Quando estamos em nossas reuniões nas comunidade de fé devemos ter espaço para vibrar de alegria por aquele que nos salvou. Precisamos ser mais apaixonados, mais vibrantes por Ele.

É necessário nos entregar totalmente ao Espírito Santo. Precisamos voltarmos a enfatizar a vida no Espírito, o ser cheio Dele, o se alegrar Nele. Tenho certeza que uma vez que tenhamos mais experiências com o Espírito Santo que habita em nós, mais paixão pelo Senhor teremos. A adoração em nosso meio será diferente, nossas orações serão mais fervorosas, nossa pregação terá mais intrepidez e nossas atitudes refletirão as atitudes do Filho.

Convicção

Totalmente dependente da paixão é a convicção. Afinal, se tivermos uma convicção (intelectualidade, conhecimento, …) sem paixão, seremos bons teóricos, mas mortos pela letra e sem vida. Agora, a importância da convicção se dará nos momentos de adversidade, nos momentos de luta, nos momentos de testes proporcionados para nosso crescimento e maturidade.

Sem sombra de dúvida, existirão dias em que vamos ter de agir com base na nossa convicção e não em nosso sentir. É neste momento que vamos ter de ser disciplinados para cumprir princípios da Palavra de Deus. Isto pode ser refletido em ter comunhão com o Corpo de Cristo, em adorar a Deus em meio as dificuldade e em não cessar nossas orações. A igreja precisa estar pronta para cumprir seu papel por mais que as circunstância digam que é impossível.

Muitas vezes, o ir em “mais” um culto pode se tornar um momento de profundo quebrantamento, “mais” um período de oração, poderá se tornar o momento mais próximo de Deus, “mais” um momento de adorar ao Senhor, poderá ser o dia em que os céus se abrirão para contemplarmos a glória de Deus. “Mais” um dia anunciando as boas novas, pode ser o dia em que um pecador será salvo. Mas tudo isto só acontecerá se tivermos plena convicção de quem Ele é e formos disciplinados.

Inspiração – Vida em comunidade

Uma realidade que reflete o resultado de paixão e convicção, a inspiração (testemunho para tão grande nuvem de testemunhas que nos cercam), é a comunidade cristã. Nós devemos ser semelhantes a soldados que lutam por nosso grande general, Jesus. E nós, como soldados da mesma guerra, da mesma causa, engajados, militantes e salvos da morte pelo mesmo Senhor, devemos refletir paixão, convicção e inspiração.

João 15:13 fala de um amor por um amigo, mas um amor voluntário e não um amor exigido. Quem são nossos amigos? Ao olhar para o irmão do seu lado na igreja você vê um amigo? Cristo morreu por amigos, para tornar o servo em filho e senhor em Pai. A exemplo de Cristo, dar a vida por um dos nossos pode implicar em:

  • Feridas tratadas em amor
  • Viver sem falsidade
  • Viver sem omissão
  • Menos orgulho
  • Mais perdão

Abro um parênteses: o que dizer dos líderes selecionado pelo Senhor (Efésios 4:11)? Como precisam ser inspiradores como fruto de sua paixão e convicção! São responsáveis pela edificação dos santos. Tamanha responsabilidade!

Nosso viver em comunidade deve inspirar quem nos observa, quem nos analisa. Se de fato o amor do Senhor está em nós, amaremos uns aos outros, conforme João 13:34-35.

André Anéas

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1/9 – Introdução [“Independência” é Morte]

2/9 – Jesus: Grande Líder “Da Causa” [“Independência” é Morte]

3/9 – E Quanto a Nós? [“Independência” é Morte]

4/9 – Características do Mestre: Paixão [“Independência” é Morte]

5/9 – Características do Mestre: Convicção [“Independência” é Morte]

6/9 – Características do Mestre: Inspiração [“Independência” é Morte]

7/9 – Desafio 1: Morrer [“Independência” é Morte]

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Desafio 1: Morrer [“Independência” é Morte]

A morte, que é a segunda opção para todos aqueles que desejam o estado de “independência”, para nós foi a porta de entrada para recebermos a Cristo. Se de fato somos cristãos e de fato morremos para vivermos e desfrutarmos desta nova vida, que valor tem as coisas deste mundo, o pecado, nossa carne e tudo o que é passageiro e terrestre? Se a realidade é que morremos com Ele e com Ele ressuscitamos, a verdade é que estas coisas não devem ter valor algum. Afinal, Ele conquistou para nós a verdadeira independência: do pecado, do mundo e do diabo.

É interessante notarmos uma “ironia” da história da humanidade. O homem luta pelo estado de “independência” e quando conquistado, luta pela imortalidade, pela glória, por mais conquistas. Mas no princípio, em Genesis 3, vemos o homem imortal declarando independência a Deus, comendo do fruto proibido. Não é difícil entender que toda tentativa do homem por independência nunca o satisfará se não retornar ao princípio: Deus em comunhão plena com o homem. Infelizmente esta revelação não está clara na mente da maioria dos nomes que fizeram história. Tendo-se “esquecido” lutaram de maneira cega por não conhecer o real significado de vida abundante – estado de “independência” real.

Talvez você esteja pensando que tudo está muito tranquilo no nosso país para um discurso tão drástico como este. Mas a verdade, que é Jesus, nos diz claramente para “perseverar até o fim”. E perseverar implica em morrer para o que é transitório e almejar o que é eterno, conforme relatado nos evangelhos. E isso significa que se vivemos e se morremos, é para Ele. Você morreria por Jesus? Você se entregaria por Ele? Você trocaria o conforto da sua vida, trocaria sua aposentadoria, deixaria de lado o que nos garante algo passageiro por Ele?

O real estado de “independência”, almejado por toda humanidade só será alcançado quando morrermos, pois para nos “religarmos” ao Criador e a seu ideal nós devemos morrer e nascer de novo. Morrer em Cristo (devido a nossa culpa) e ressuscitar com Ele. Uma vez nascidos de novo, uma vez participantes dos sofrimentos do Filho, a cada dia morreremos para este mundo e viveremos para Ele. “Independência” é morte. O ideal de vida só é vivido em sua plenitude quando a cada dia deixamos nosso “eu” de lado, morremos, e nos tornamos mais semelhantes a Ele.

Não há espaço no cristianismo para pessoas não engajadas, que desejariam não viver a causa de Cristo totalmente. O exemplo daqueles que desejaram fugir das lutas que existiram e existem na história não é um exemplo possível na causa Dele. Se existem este tipo de pessoa no nosso meio, estes podem ser apenas joio misturado com o trigo.

André Anéas

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1/9 – Introdução [“Independência” é Morte]

2/9 – Jesus: Grande Líder “Da Causa” [“Independência” é Morte]

3/9 – E Quanto a Nós? [“Independência” é Morte]

4/9 – Características do Mestre: Paixão [“Independência” é Morte]

5/9 – Características do Mestre: Convicção [“Independência” é Morte]

6/9 – Características do Mestre: Inspiração [“Independência” é Morte]

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