Contexto [Desqualificados!]

Paulo presoA carta aos filipenses é diferenciada. Em primeiro lugar, porque ela tem uma tonalidade informal por parte de Paulo. Muito diferente de 2 Coríntios, na qual o apóstolo procura defender seu apostolado, em Filipenses Paulo se quer se intitula apóstolo, como seria de praxe em suas epístolas.

Em segundo lugar, porque Paulo fala de si com a liberdade e intimidade de quem fala a um amigo próximo. Sabemos que não temos liberdade de nos confidenciar ou compartilhar algo íntimo sobre nossa história, nosso interior ou alguma experiência à alguém que não confiamos, pois corremos o risco de sermos mal compreendidos, de sermos julgados ou de gerar algum mal estar. Paulo em sua epístola aos filipenses tem esta liberdade e é nesta epístola que ele nos revela alguns aspectos biográficos de sua vida.

Em terceiro lugar, percebemos Paulo emotivo. Ao escrever a carta, Paulo se encontra preso (1:13) e utiliza-se de cartas para se comunicar com as igrejas. Trata-se de sua ferramenta de trabalho. Para alguém como Paulo, com tamanha atuação no reino de Deus, é possível imaginar a saudade que ele sentia dos irmãos, a vontade de estar com eles, ceiar com eles e de ensinar pessoalmente sobre Cristo. É clara a importância para o apóstolo em possuir liberdade para escrever de maneira tão pessoal e com tamanha intimidade aos filipenses. Escrever é algo que não lhe cansa, muito pelo contrário, ele se alegra neste trabalho, inclusive escrevendo um conteúdo já escrito em outra oportunidade (3:1). Sua preocupação é notável ao citar a segurança da igreja (3:1) e é também notório seu carinho ao falar de sua saudade da igreja em Filipos (1:8; 4:1).

Algo que permeia toda carta são as exortações à alegria! Embora preso, Paulo não cessa de exortá-los a se alegrarem no Senhor. Não tenho dúvidas de que a própria experiência de Paulo com Cristo é o que lhe dá toda autoridade para falar de alegria em um momento difícil de sua vida. Ele estava feliz. Independente de sua situação ele se alegrava no Senhor e tinha plena convicção de que se alegrar no Senhor era o melhor caminho.

André Anéas

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1/10 – Introdução [Desqualificados!]

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Introdução [Desqualificados!]

barrados na festa

Existem certas coisas na vida que deixam qualquer um constrangido. Uma delas é, por exemplo, quando vamos a uma festa e ao chegar na porta nos deparamos com alguém com uma lista de convidados. Até ai nada de constrangedor. Porém, a pessoa responsável começa a procurar seu nome e não encontra. Começa a rever a lista e nada. Os minutos vão passando, a fila aumentando, e se descobre da maneira mais infeliz possível que o dono da festa se esqueceu de incluir seu nome na lista. Embaraçoso, constrangedor, humilhante.

Nestas horas, nos sentimos injustiçados. Verdadeiramente humilhados, devido a tamanho constrangimento. A situação de saber que saímos de casa, fomos até o lugar da festa, mas que iremos retornar sem ter conseguido entrar por terem esquecido nosso nome, gera em nós uma sensação de total constrangimento. Talvez, alguém no lugar desta pessoa possa pensar: “A se eu fosse o filho do dono da festa, ou um irmão, ou alguém conhecido e famoso o suficiente para, mesmo se meu nome não estivesse na lista de um evento, entrar sem questionamentos, sem constrangimento, sem o risco de passar pelo vexame público!”.

A verdade é que ninguém gosta de ser desqualificado!. Quem não tem um “currículo” que lhe dê credenciais para certo status perante a sociedade, respeito perante todos, um histórico de vida honrado pelas pessoas e um nome, gostaria de ter tais qualificações. As razões são várias, mas destaco o valor agregado que esta posição lhe daria na vida. Já quem possui estas credenciais, zela por sua posição, se orgulha, tem motivos para se gloriar em si mesmo por quem é, tenha conquistado por seu mérito, tenha adquirido por herança, ou ambos. Porém, seja um qualificado ou um desqualificado, na maioria das vezes as pessoas defendem a si mesmas, buscam se justificar, tem seus argumentos, tem seu orgulho próprio, não aceitam injustiças consigo mesmas, pois “dificilmente” estão de erradas.

Desqualificado!” ninguém quer ser. Porém, quando pensamos em cristianismo, somos colocados em “cheque” diante da nossa justiça própria, do nosso orgulho, da nossa honra, do nosso “eu”. Sejamos “amigos do donos da festa” ou sejamos desqualificados! para sociedade (embora muitas vezes não para nós mesmo), diante da verdade do evangelho ficamos “sem saída” e somos obrigado a olhar para nós mesmos e entender quem realmente somos.

Deus tem muito a nos falar em Filipenses 3:1 – 4:1…

André Anéas

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Quer ser legal, mas “Noé”

noe

“Eu não estou sozinho!” – Noé responde aos homens maus que desejam tomar a arca.

Perdi a conta de quantas vezes assisti ao trailer do filme Noé, de Aronofsky. E todas as vezes em que Noé dizia que não estava sozinho pensava: “Este filme será excelente!”. Obviamente, minha expectativa era que fosse sim um filme que retratasse a versão bíblica de Noé, inclusive por ser a mais conhecida. Esperava também alguns possíveis adendos criativos da equipe do filme, afinal de contas, trata-se de Hollywood. Mas, em hipótese alguma imaginava que Noé ao dizer que não estava sozinho se referia a “almas penadas” de anjos ao invés de Deus…

Alguns detalhes me chamaram muito a atenção e, como cristão, minhas críticas se deram neste sentido. Destacaria:

  • Um Deus que não fala com clareza;
  • Matusalém como mediador ou facilitador de Noé;
  • Noé tomando um “chá” para conseguir entender Deus;
  • Um Noé com dúvidas;
  • Um Noé um tanto psicótico;
  • Um Noé frio;
  • O descendente de Caim que invade a arca;
  • Anjos cujas almas estavam em pedras ajudando Noé;
  • Um Noé que ameaça a vida dos futuros netos;
  • E, principalmente, a casca de cobra envolta do braço dos descendentes de Abel.

Estranho. Já havia imaginado que as fontes para a história de Noé seriam variadas. Porém, por não me aprofundar em tais fontes não imaginava tamanha discrepância entre minha expectativa e o filme propriamente dito. Cheguei até a comentar com minha esposa e amigos que a ênfase mais humana de Noé fora interessante, mas que era tudo bem estranho à fé cristã.

O filme passou, muitas pessoas assistiram e muitas pessoas comentaram a respeito.

Da mesma forma que eu, muitos comentários criticando o filme em sentidos semelhantes ao que citei. Amigos meus foram duramente criticados por outros de dentro da igreja devido a esta estranheza em relação ao filme. Igrejas que decidiram tirar de sua programação oficial, não indo ao cinema, devido aos desvios da fé cristã, também foram alvos de ataques críticos da própria igreja. Igreja atacando igreja. Igreja criticando igreja. Crentes vs crentes. Mais uma vez estranho.

Sinceramente, vejo com muito bons olhos que a igreja se posicione em relação ao que contradiz aquilo que cremos. Lendo a Bíblia se percebe facilmente que era isso que os apóstolos faziam, combatiam as heresias e desvios doutrinários. Graças a Deus temos o mínimo de discernimento e percebemos quando algo não “soa bem”, mesmo que não haja um embasamento profundo para entender todas as dimensões da heresia.

Agora, me pergunto como podem ter críticos na igreja que chegam a comparar um filho de Deus a grupos de fanáticos religiosos?!?!?!?!  Cristãos que assistem a um filme, percebem que aquilo não está de acordo com a fé cristã e divulgam a heresia (ou pelo menos a percepção de que algo não está correto) sendo criticados pelos próprios cristãos?

Glória a Deus que os cristãos perceberam que algo não estava certo! Não vejo neles alvos para críticas da igreja. Muito pelo contrário!

Abaixo coloquei um link que agrava ainda mais a situação. Um texto que demonstra que o filme é, na verdade, baseado inteiramente em um gnosticismo místico, ou seja, é HERESIA PURA. Eu realmente não consegui perceber a profundidade do problema ao assistir ao filme e fiquei entre os que somente perceberam algumas coisas estranhas. Mas, lendo o texto abaixo e pesquisando sobre o tema, percebi que a coisa é pior do que se imagina. A ideia do filme não é simplesmente juntar várias ideias e, com muita criatividade, reinventar Noé. O que se encontra no filme é algo muito bem fundamentado e que segue uma linha claramente lógica e baseada no gnosticismo:

  • Deus é mau;
  • A serpente é boa;
  • Noé só tem um ato amoroso ao desobedecer o deus que é mau;
  • As semelhanças entre Noé e o líder dos descendentes de Caim;
  • Serpente = conhecimento (lembra do final do filme?);

O problema é que tem gente na igreja que quer ser legal. Legal para tudo! Mas “Noé”. Estão navegando no barco do relativismo e do “politicamente correto”. Gente que quer ser bacana. O problema é que nestas “ondas” acabam enaltecendo heresias, criticando quem as condena com todas as razões cristãs do mundo e, por fim, expondo mais uma vez que a igreja não se entende com a igreja. Críticos com pouco conhecimento, mas que se veem no direito de sair em defesa de “não sei o que”.

Estes críticos estão com muito menos condições de criticar do que quem criticou o filme. Estes críticos deveriam se alinhar mais às Escrituras e buscar entender a dimensão do problema antes de causar malefícios à igreja de Cristo.

Ouçamos mais o apóstolo Paulo e menos nossos “achismos” e críticas infundadas:

Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério. – 2 Timóteo 4:1-5

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Filme “Noé”: o show de cabala e gnosticismo que quase ninguém percebeu