Quer ser legal, mas “Noé”

noe

“Eu não estou sozinho!” – Noé responde aos homens maus que desejam tomar a arca.

Perdi a conta de quantas vezes assisti ao trailer do filme Noé, de Aronofsky. E todas as vezes em que Noé dizia que não estava sozinho pensava: “Este filme será excelente!”. Obviamente, minha expectativa era que fosse sim um filme que retratasse a versão bíblica de Noé, inclusive por ser a mais conhecida. Esperava também alguns possíveis adendos criativos da equipe do filme, afinal de contas, trata-se de Hollywood. Mas, em hipótese alguma imaginava que Noé ao dizer que não estava sozinho se referia a “almas penadas” de anjos ao invés de Deus…

Alguns detalhes me chamaram muito a atenção e, como cristão, minhas críticas se deram neste sentido. Destacaria:

  • Um Deus que não fala com clareza;
  • Matusalém como mediador ou facilitador de Noé;
  • Noé tomando um “chá” para conseguir entender Deus;
  • Um Noé com dúvidas;
  • Um Noé um tanto psicótico;
  • Um Noé frio;
  • O descendente de Caim que invade a arca;
  • Anjos cujas almas estavam em pedras ajudando Noé;
  • Um Noé que ameaça a vida dos futuros netos;
  • E, principalmente, a casca de cobra envolta do braço dos descendentes de Abel.

Estranho. Já havia imaginado que as fontes para a história de Noé seriam variadas. Porém, por não me aprofundar em tais fontes não imaginava tamanha discrepância entre minha expectativa e o filme propriamente dito. Cheguei até a comentar com minha esposa e amigos que a ênfase mais humana de Noé fora interessante, mas que era tudo bem estranho à fé cristã.

O filme passou, muitas pessoas assistiram e muitas pessoas comentaram a respeito.

Da mesma forma que eu, muitos comentários criticando o filme em sentidos semelhantes ao que citei. Amigos meus foram duramente criticados por outros de dentro da igreja devido a esta estranheza em relação ao filme. Igrejas que decidiram tirar de sua programação oficial, não indo ao cinema, devido aos desvios da fé cristã, também foram alvos de ataques críticos da própria igreja. Igreja atacando igreja. Igreja criticando igreja. Crentes vs crentes. Mais uma vez estranho.

Sinceramente, vejo com muito bons olhos que a igreja se posicione em relação ao que contradiz aquilo que cremos. Lendo a Bíblia se percebe facilmente que era isso que os apóstolos faziam, combatiam as heresias e desvios doutrinários. Graças a Deus temos o mínimo de discernimento e percebemos quando algo não “soa bem”, mesmo que não haja um embasamento profundo para entender todas as dimensões da heresia.

Agora, me pergunto como podem ter críticos na igreja que chegam a comparar um filho de Deus a grupos de fanáticos religiosos?!?!?!?!  Cristãos que assistem a um filme, percebem que aquilo não está de acordo com a fé cristã e divulgam a heresia (ou pelo menos a percepção de que algo não está correto) sendo criticados pelos próprios cristãos?

Glória a Deus que os cristãos perceberam que algo não estava certo! Não vejo neles alvos para críticas da igreja. Muito pelo contrário!

Abaixo coloquei um link que agrava ainda mais a situação. Um texto que demonstra que o filme é, na verdade, baseado inteiramente em um gnosticismo místico, ou seja, é HERESIA PURA. Eu realmente não consegui perceber a profundidade do problema ao assistir ao filme e fiquei entre os que somente perceberam algumas coisas estranhas. Mas, lendo o texto abaixo e pesquisando sobre o tema, percebi que a coisa é pior do que se imagina. A ideia do filme não é simplesmente juntar várias ideias e, com muita criatividade, reinventar Noé. O que se encontra no filme é algo muito bem fundamentado e que segue uma linha claramente lógica e baseada no gnosticismo:

  • Deus é mau;
  • A serpente é boa;
  • Noé só tem um ato amoroso ao desobedecer o deus que é mau;
  • As semelhanças entre Noé e o líder dos descendentes de Caim;
  • Serpente = conhecimento (lembra do final do filme?);

O problema é que tem gente na igreja que quer ser legal. Legal para tudo! Mas “Noé”. Estão navegando no barco do relativismo e do “politicamente correto”. Gente que quer ser bacana. O problema é que nestas “ondas” acabam enaltecendo heresias, criticando quem as condena com todas as razões cristãs do mundo e, por fim, expondo mais uma vez que a igreja não se entende com a igreja. Críticos com pouco conhecimento, mas que se veem no direito de sair em defesa de “não sei o que”.

Estes críticos estão com muito menos condições de criticar do que quem criticou o filme. Estes críticos deveriam se alinhar mais às Escrituras e buscar entender a dimensão do problema antes de causar malefícios à igreja de Cristo.

Ouçamos mais o apóstolo Paulo e menos nossos “achismos” e críticas infundadas:

Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério. – 2 Timóteo 4:1-5

#MaisTimóteos

#MaisPaulos

Filme “Noé”: o show de cabala e gnosticismo que quase ninguém percebeu

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