Ser Discípulo [Todos Nós Temos Uma Missão!]

 

discipuloE não basta somente ir. Jesus nos orienta a “ir” e “fazer discípulos”. Porém, esta ideia de discipulado não está muito em alta. Os “crentes comuns” não estão preparados para fazerem discípulos e tão pouco se permitem serem discipulados. O ser discípulo de Cristo tem um preço a ser pago, como vemos em Lucas 14:26-35:

“Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo.

“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.

“Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz.

Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.

“O sal é bom, mas se ele perder o sabor, como restaurá-lo? Não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora. “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”. – Lucas 14:26-35

Ser discípulo

Em primeiro lugar, para fazer discípulos você precisa ser discípulo de Cristo. E ser discípulo de Cristo implica em uma entrega total à Cristo. O mais importante na vida de quem é discípulo de Cristo é o próprio Cristo. E isto precisa estar muito claro para o discípulo, pois existe sim o risco de muita gente ficar descontente com o fato do mais importante em sua vida ser o Cristo. E seu amor por estas pessoas, sejam elas quem forem, não poder estar em pé de igualdade com o amor a Cristo. Nem mesmo a própria vida do discípulo é superior a Cristo.

Em Lucas, Jesus ainda conta duas histórias para ilustrar o preço do discipulado. Em ambas, fica claro o seguinte: antes de alguém se tornar discípulo precisa saber que sua vida pertence somente ao Senhor, que trata-se de uma renúncia total, que existe um preço a ser pago nesta vida de discipulado. Jesus, ao contrário de muitos outros mestres, nos diz nesta ilustrações para pensar bem antes de aceitar o discipulado, pois só será apto ao discipulado de Jesus aquele que estiver disposto a caminhar pela fé, depositando toda sua confiança em Jesus, aceitando o preço a ser pago.

Se você é um discípulo de Jesus conhece este preço, sabe que cada discípulo carrega sua cruz. Sabe que ser discípulo não é simplesmente “aceitar a Jesus” e vir na igreja aos domingos, como um “crente comum”. Muito pelo contrário, é ter a certeza dentro do coração de que por toda a vida servirá ao Senhor, caminhará com o Senhor, se sujeitará ao Senhor. Dia após dia.

André Anéas

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1/7 – Introdução [Todos Nós Temos Uma Missão!]

2/7 – A Grande Comissão [Todos Nós Temos Uma Missão!]

3/7 – Ide – Quem Vai? [Todos Nós Temos Uma Missão!]

4/7 – Ide – Para Onde? [Todos Nós Temos Uma Missão!]

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Ide – Para Onde? [Todos Nós Temos Uma Missão!]

 

onde?Quem vai? Uma vez entendido que TODOS nós somos discípulos privilegiados por servir ao Senhor, nós vamos. Agora precisamos compreender o texto de Mateus 28:19-20 de forma diferente.

O que precisa ficar muito claro em nossa mentalidade cristã: nós, discípulos de Cristo, Sua Igreja, precisamos ir até quem não faz parte da Igreja de Cristo. Nós, Igreja, somos o povo de Deus instruído por pessoas vocacionadas para nos preparar para sermos perfeitos em Cristo e aptos ao serviço. Este serviço vai MUITO além do serviço da igreja local. A mensagem de Mateus 28:19-20 é para todos nós!

Existe um povo, que não é povo de Deus. Um povo que não é Igreja. Um povo que não conhece Deus e não sabe o que o Senhor fez pela humanidade. E de quem é a responsabilidade por ser sal e luz no mundo em que este povo vive? É dos missionários, mas não somente. É dos pastores, mas não somente. É de TODA a Igreja do Senhor. “Ide” é para todos nós.

A realidade de que existem pessoas que não tem a mesma esperança que nós da Igreja temos deve estar sempre em nossa mente. O “ir” até elas deve estar sempre a nossa mente. Observe o texto de Mateus 16:18:

E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades (inferno) não poderão vencê-la. – Mateus 16:18

São as portas do inferno que não suportam a pressão da Igreja e não o contrário. Existe sim o reino de Deus e existe o reino das trevas – o “mundo”. Nós não somos do mundo, mas existem pessoas que estão neste mundo de trevas. Nós, embora não somos do mundo, estamos no mundo e precisamos ter a convicção de que existe céu e inferno e uma guerra na qual as vidas estão em jogo.

Como a passagem abaixo nos diz, são necessários trabalhadores para esta tarefa de “ir”! Trabalhadores com compaixão das vidas aflitas e desamparadas que habitam o “mundo”.

Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. – Mateus 9:35-38

Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor.

Então disse aos seus discípulos: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara”.

Mas esta instrução de Mateus 28:19-20 não seria apenas para os missionários transculturais, com vocação para isto? Também, mas não somente. Este é o nosso DNA e “ir” deve ser algo natural. Quem experimentou a graça de Deus não teria vontade de compartilhá-la? Quem conheceu ao Deus maravilhoso que servimos não teria vontade de participar do processo de fazê-Lo conhecido? Esta mensagem não é simplesmente para te exortar a evangelizar, mas para te fazer entender que um verdadeiro discípulo de Jesus observa o famoso texto da “Grande Comissão” e sabe que Jesus está falando com ele.

Mas para onde vamos? “Ir” onde? Talvez você pense que este “ide” faz referência somente a outras nações. O texto nos diz todas as nações, inclusive a nação que nós residimos. Além do que, não foram todos os onze discípulos que foram para outras nações. A ideia aqui é de universalidade. A mensagem deve ser pregada para todos, sem barreiras étnicas e culturais. Todos estão incluídos. Principalmente as pessoas dos locais em que você vai, e é ai que quero chegar…

Você vai ao trabalho?

  • Hospital?
  • Escola?
  • Banco?
  • Empresas privadas variadas?
  • Governo?

Você vai para escola?

Você vai para faculdade?

Você vai para reuniões familiares?

Você vai para igreja (inclusive)?

Você vai para sua casa?

Você vai passar tempo com sua família (esposa, esposo, filhos)?

Você vai para seu bairro e se encontra com seus vizinhos?

Todos nós vamos de alguma maneira. Todos nós encontramos pessoas. Todos nós nos deparamos com vidas que estão sem esperança, com famílias destruídas, com pessoas desesperadas. E nós temos a incumbência como crentes em Cristo de “ir” até elas e anunciar o evangelho, a dar a eles a resposta de que somente por meio de Cristo é que nossa vida terá um sentido completo, que nos “consertará” para termos comunhão com Deus.

Esta é nossa missão. “Ir” até os aprisionados, desamparados, endemoniados, perdidos e lhes fornecer a vida de Cristo.

André Anéas

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2/7 – A Grande Comissão [Todos Nós Temos Uma Missão!]

3/7 – Ide – Quem Vai? [Todos Nós Temos Uma Missão!]

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Ide – Quem Vai? [Todos Nós Temos Uma Missão!]

 

quemJesus começa dizendo para “ir”. Existem duas perguntas importantes para fazermos ao ouvir o “ide” de Jesus: a primeira pergunta a ser feita é “quem vai?”; A segunda pergunta seria “para onde?”.

Quem vai?

Para ficar mais claro este entendimento, precisamos observar o que nos diz Efésios 4:11-12.

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado – Efésios 4:11-12

Jesus vocaciona sim alguns para apóstolos, profetas, evangelistas e pastores e mestres. Estes tem a incumbência de preparar os santos para a obra do ministério para que o corpo de Cristo – Sua Igreja – seja edificada. Ou seja, por mais que exista um grupo escolhido por Deus para instruir o povo de Deus, o povo de Deus está sendo preparado para o ministério, para edificação da Igreja.

Este preparo, que em outras traduções aparece como “aperfeiçoamento”, possui uma ideia extremamente profunda, na qual os crentes em Cristo devem tornar-se completos, restaurados, cheios da plenitude de Deus, tal como é na pessoa do Filho. A ideia de uma vida de santidade está presente aqui. Uma vida separada ao Senhor, consagrada à Ele, dedicada à Ele.

O apóstolo Paulo ainda faz referencia ao “ministério”. Esta obra do ministério diz respeito ao serviço cristão, e aqui poderíamos segmentar em serviço espiritual e “braçal”. Entretanto, prefiro considerar TUDO como espiritual. Por mais que exerçamos funções na igreja que não pareçam espirituais, saibam que elas são espirituais sim. Você pode lavar um chão, administrar valores, arrumar as cadeiras, dentre tantos outros exemplos, e isto tudo ser espiritual, pois fazemos para Deus, para glória Dele, servindo ao Senhor. Trata-se de um privilégio.

Me lembro de um acampamento o qual ajudei a organizar. Chegamos alguns dias antes para avaliar o local e o que poderíamos preparar de atividades por lá. Existia um senhor que cuidava do local, uma espécie de zelador. Conversando com aquele senhor, ele nos compartilhou a alegria que sentia em limpar o local e prepará-lo para que nós pudéssemos ir com aquele grupo para lá. Ele nos disse: “Irmãos, eu preparo este lugar como se o próprio Senhor Jesus fosse adentrar aqui”. Naquele mesmo instante, ao ouvir as palavras daquele senhor simples e que aparentemente tinha uma função “menos espiritual”, fomos completamente tocados pela presença de Deus e começamos um período de oração por aquele acampamento.

Lembrem-se que por trás de uma atividade que podemos julgar como não espiritual pode estar um servo de Deus buscando ser escravo de todos. Afinal, quem quiser ser grande, que seja o menor (Mt. 20:26-28), à semelhança do Filho de Deus.

Na visão bíblica não existe “crente comum”, existem discípulos de Jesus, alguns chamados para instruir outros na fé e outros sendo instruídos para o aperfeiçoamento de suas vidas cristãs, tornando-os aptos para servir e, consequentemente, a Igreja ser edificada. E volto a ressaltar que este serviço é um privilégio de todos os crentes. Não é de forma alguma um “favor” que alguém faz para outrem. A Igreja do Senhor não é composta de pessoas que prestam favores as outras. Muito pelo contrário, é formada por discípulos que tem o privilégio de servir a Deus! Privilégio!

Vemos, portanto, que o objetivo de alguém vocacionado para instruir vai muito além de um sermão de domingo para motivar pessoas para a semana e que “crente comum” na verdade não existe. Reduzir a realidade do cristão a vir para igreja e ouvir uma mensagem que simplesmente o anime para a semana é diminuir em muito aquilo que Cristo espera de Sua Igreja.

André Anéas

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A Grande Comissão [Todos Nós Temos Uma Missão!]

 

comissão

Mateus 28:11-20

Enquanto as mulheres estavam a caminho, alguns dos guardas dirigiram-se à cidade e contaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Quando os chefes dos sacerdotes se reuniram com os líderes religiosos, elaboraram um plano. Deram aos soldados grande soma de dinheiro, dizendo-lhes:

“Vocês devem declarar o seguinte: ‘Os discípulos dele vieram durante a noite e furtaram o corpo, enquanto estávamos dormindo’. Se isso chegar aos ouvidos do governador, nós lhe daremos explicações e livraremos vocês de qualquer problema”.

Assim, os soldados receberam o dinheiro e fizeram como tinham sido instruídos. E esta versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje. 

Os onze discípulos foram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram o adoraram; mas alguns duvidaram.

Então, Jesus aproximou-se deles e disse:

“Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”.

Alguns detalhes sobre o texto…

Ao relatar este famoso texto, muito conhecido por “Grande Comissão”, é de fundamental importância notar que tanto Mateus como Marcos o colocam como uma das últimas falas do Senhor, antes de sua ascensão aos céus. Ora, olhando toda a passagem de Jesus por esta terra, todos os acontecimentos (milagres, curas, diálogos, ensinos, ceia com os discípulos, traição, julgamento, crucificação, morte, ressurreição), é nítido que as últimas instruções tem muita importância, pois seriam as últimas falas ouvidas de Cristo aqui na terra. Entendo que se Jesus deixou alguma orientação pouco antes de sua ascensão aos céus, esta orientação deve ser observada com especial atenção.

Jesus ao instruir os onze de que suas ordenanças deveriam ser divulgados e ensinadas de forma global, nota-se uma certa ironia do escritor bíblico. Pouco antes, no evangelho de Mateus, é relatada a tentativa de evitar que houvesse qualquer tipo de repercussão da ressurreição de Jesus. Um “plano” é elaborado. E um plano é um plano. Trata-se de uma estratégia articulada entre os chefes dos sacerdotes, os líderes religiosos e mais os soldados romanos subornados para que esta história de que Jesus ressuscitou não tivesse espaço entre os judeus.

O plano foi traçado e executado. Segundo Mateus, a versão falsa da ressurreição foi a mais divulgada entre os judeus. E é aqui que entra a ironia de Mateus, pois logo em seguida vem o texto em que Jesus diz que nações deveriam ser alcançadas. Quem poderia imaginar que neste contexto, em que um plano para divulgação da versão falsa sobre a ressurreição teve tamanho sucesso, ao ponto dos judeus até hoje, dois mil anos depois, não crerem que Jesus está vivo, a fé no Cristo ressurreto poderia ser tão amplamente conhecida entre as nações a partir de apenas onze homens?

A resposta se encontra na autoridade que está em Cristo Jesus (19a). Mesmo com os impedimentos relatados no texto, seja por conta da versão falsa, a pouca mão de obra para tal tarefa e até a incredulidade de alguns, ou por tantos outros impedimento históricos, Jesus se fez e continua se fazendo conhecido.

Sabemos que é graças a autoridade que está em Cristo, o Filho de Deus, que Sua mensagem se faz conhecida. Mas, também é graças a esta autoridade que Seus discípulos podem fazer parte deste processo de expansão do reino de Deus. No início eram apenas onze e, mesmo como número reduzido, para glória de Deus, não dependia deles, mas da autoridade de Cristo. E assim, o reino de Deus foi se expandindo. Tudo é sobre Ele e pela graça Dele pessoas são usadas por Ele, apesar de quem são.

André Anéas

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1/7 – Introdução [Todos Nós Temos Uma Missão!]

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Introdução [Todos Nós Temos Uma Missão!]

 

rotinaExistem alguns conceitos muito simples. E, por mais simples que sejam, existe um porquê, uma explicação, uma razão de ser por detrás destes conceitos. E é por esta explicação que vou começar.

Você já parou para pensar qual a razão de você vir para igreja domingo após domingo? Você já parou para pensar quais são suas responsabilidades como alguém que se intitula cristão? Em algum momento você se deu conta do tempo que investe vindo às atividades da igreja local? São perguntas importantes de serem respondidas, principalmente nos tempos em que vivemos.

É comum hoje em dia que os cristãos entendam que seu papel dentro da igreja é o de vir até a igreja (aqui templo), deixar seus filhos na Escola Dominical, ouvir uma pregação, se encontrar com os irmãos desfrutando de comunhão, em alguns casos até sair para comer algo após as reuniões, e voltar para a semana para viver normalmente suas vidas.

Durante a semana muitos vão trabalhar, vão cozinhar, vão se encontrar com os amigos, vão ter algum tempo de lazer, passar tempo com a família e ter um tempo de descanso da semana que é corrida. E, no domingo seguinte, todos estão novamente na igreja para deixar seus filhos na Escola Dominical, ouvir uma pregação, se encontrar com os irmãos desfrutando de comunhão.

Quem vive nesta realidade pode até ser intitulado de um “crente comum”, com sua rotina semanal e sua rotina dominical. Afinal de conta, não é um pastor ou missionário, os quais não são “comuns” como os crentes comuns.

Talvez este “crente comum” pense que ser cristão é isto. Viver a vida normalmente e buscar a benção de Deus sendo alguém que frequenta a igreja, leva os filhos na Escola Dominical, tem comunhão com os irmãos. Além disso, espera-se que a palavra pregada no domingo seja uma palavra abençoada para sua vida, para sua família e para sua semana. É possível que o “crente comum” pense que o pastor deve passar a semana preparando o sermão do domingo somente com a intenção dele – o “crente comum” – ouvir e ser mais uma vez abençoado por uma mensagem que lhe dará a força necessária para mais uma semana, uma mensagem que lhe faça bem e lhe de paz. Quem sabe a expectativa é também da mensagem o ajudar a se relacionar melhor, pois isto traria muitos benefícios no trabalho e em casa. Ou seja, ser beneficiado de “n” formas…

E quanto a divulgação do evangelho do Senhor Jesus? Para o “crente comum” é muito simples, existem missionários para isto. Existem conferências missionárias nas quais os “crentes comuns” podem participar para entender como funciona a vida do missionário no campo. Os “crentes comuns” sabem que seu papel é o de somente contribuir, afinal, eles não tem este “chamado”.

Outro ponto importante na vida do “crente comum” é que ele sempre que convida um amigo ou parente para ir a igreja sempre espera que este convidado aceite a Jesus no sermão daquela noite. Afinal de contas, o pastor deve estar preparado para anunciar o evangelho, pois este é o seu “chamado”. O “crente comum” compreende que o fato dele somente levar alguém à igreja já cumpre seu papel dentro da igreja.

O que dizer então de uma vida de oração diária? De uma vida dedicada à leitura bíblica? De uma vida consagrada ao Senhor Jesus? Para o “crente comum” esta coisas são importantes. Porém, existem pessoas não tão comuns, como missionários e pastores, que tem a obrigação de terem uma vida de oração, de leitura bíblica e uma vida consagrada ao Senhor. Estes mesmos missionários e pastores são também os responsáveis por anunciar em seu dia-a-dia a mensagem do evangelho, pois são “chamados” por Jesus para isto!

Quem é você no reino de Deus, em Sua Igreja? Um “crente comum”? Se sim, ao saber o texto que irei expor você poderá logo pensar que trata-se de um estudo digno de uma conferência missionária e não de um “domingo” qualquer. Porém, peço sua paciência para chegarmos juntos a uma ideia muito simples.

André Anéas

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Conclusão [Ser Crente Pra Valer!]

diferenteConhecemos homens e mulheres da Bíblia que são grande exemplos de fé, crentes pra valer. Vimos também um homem rico, que ao se deparar com as consequência do discipulado optou por sua vida abastada. A questão neste momento somos eu e você. Quem nós somos? Crentes que vivem pela fé no Filho de Deus ou semelhantemente ao homem rico temos simpatia por Jesus e nos falta coragem para nos livrar daquilo que nos resta e que sabemos, por intermédio de Cristo, que devemos deixar?

Quem sabe você seja uma pessoa muito bem intencionada. Você pode estar em busca de sua salvação. Jesus te olha e ama você, da mesma maneira que amou aquele homem. Sabe que no coração dos homens pode existir boa intenção. Porém, boa intenção não salva. Não basta ir atrás de “7 passos para salvação”, ir atrás do guru da salvação, seguir as leis necessárias para salvação. Podem ser boas intenções, mas não passam disto. Ele nos diz que pode faltar alguma coisa. E não se trata de ser um bom cidadão, de não matar, não roubar, etc. Trata-se de deixar de lado TUDO por Ele. Trata-se Dele ser nosso TUDO.

Uma vez confrontados com a graça de Deus – olhando para nós como realmente somos, completamente despidos, nus, sem graça, escravos do pecado, do egoísmo, de nós mesmos, do nosso orgulho, da vaidade – deixando tudo para trás, morrendo para este mundo, seguimos a Jesus. Seguimos. Passo a passo. O observando, o imitando, nos tornando semelhante ao Filho…

Deixando nosso maior amor para Ele:

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. – Mateus 10:37-38

Dando prioridade para Ele:

Outro discípulo lhe disse: “Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai”. Mas Jesus lhe disse: “Siga-me, e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos”. – Mateus 8:21-22

Abandonando o pecado que afronta Ele:

Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno. – Mateus 5:29

O que lhe resta para ter a vida eterna e seguir a Jesus? Muitos dizem que precisam deixar de fazer isto ou aquilo para poderem se batizar. Mas, na verdade, precisam deixar de fazer isto ou aquilo para se tornarem cristãos para valer. Ora, quem sabe o que deve abandona, sabe o que deve abandonar. Não para se batizarem, mas para se converter. Não consigo entender um crente indeciso para se batizar. Mas é compreensível, um homem indeciso por deixar o que não lhe é bom para trás e seguir a Jesus.

A conversão é baseada no arrependimento, em uma mudança de mente. Uma vez com a mente convertida, o crente busca abandonar tudo aquilo que está acima de Deus. Isto acontece no início da vida cristã e durante todo seu curso. Porém, algo não muda. O cristão sempre abandona o pecado, sempre escolhe o caminho que agrada a Deus. Tropeça, sim. Mas, pela bondosa mão do Pai é repreendido, corrigido, se levanta e continua. Não desiste. Persevera até o fim!

Testemunho:

Me lembro de uma conversa que tive com alguns crentes da minha sala de faculdade. Eu já era parte da igreja e tocava na equipe de louvor. Porém, nas primeiras palavras trocadas com eles percebi que tínhamos muitas diferenças. Eles não tinham problema algum em falar sobre a Palavra de Deus, sobre Jesus. Não se envergonhavam nem para orar em público na faculdade. Evangelizavam, buscavam ao Senhor.

Eu, ao contrário, era um crente “James Bond”. Me escondia. Tinha vergonha de professar minha fé de maneira clara. Era mais parecido com meus colegas de fora da igreja do que com estes crentes. Falava palavrão, bebia, dava em cima de algumas meninas. Meu orgulho falava mais alto. Não queria de forma alguma ser tachado como “crente”. Hoje vejo que era um péssimo testemunho e que envergonhava a Igreja de Cristo. Não era crente pra valer

Me lembro de um deles, que após uma longa discussão entre eu e eles me disse: se for para ser crente tem de ser para valer. Olhando para história do homem rico se percebe que é isto que Jesus espera. Se você me segue, você me segue. Se não, não.

Sim, a porta é estreita e o caminho apertado, são poucos que encontram. Mas, ou se está neste caminho estreito, caminhando nele, ou se está em outro caminho, no largo. Eu estava no largo. Graças a bondosa mão de Jesus pude ouvir a Sua voz amorosa me dizendo: “André, você não mata, não rouba, não faz tantas coisas, mas resta algo… Deixa seu orgulho e me segue”.

Não me arrependo um segundo por ter me humilhado na presença Dele e seguido, pra valer, o Senhor. O que vivi, vivo e vou viver na presença Dele não tem comparação com nada nesta vida. Sei que se aquele homem rico deixasse suas riquezas, doasse aos pobres e seguisse a Jesus, ele viveria dias tremendos – com perseguição – e teria a vida eterna.

Não é um caminho fácil ser crente pra valer. É necessário perseverança, renúncia, carregar a cruz, ser um discípulo radical, nas palavra de Stott. Todos os heróis da fé pagaram este preço, sem exceção. Muitos perderam fama, bens, até filhos – como alguns missionários em terras longínquas. Mas optaram por ser discípulos e anunciar a Verdade que salva e liberta!

O desafio desta mensagem é deixar de ser o primeiro, para ser o último. Deixar de ser dono de sua vida, para ser escravo de Cristo. Deixar a vergonha de lado e anunciar com ousadia que sim, você segue a Jesus e deixa de lado o que tiver de deixar por amor a Ele. O desafio é trabalhar para o Reino, servindo a todos e não ser reconhecido. O desafio é não fazer nada por aplausos, mas para glória do Rei. O desafio é morrer, para que outros vivam. O desafio é se expor, nem que o custo seja a morte. O desafio é defender o oprimido, desamparado e o pobre, mesmo que ninguém os defenda. O desafio é ser tão parecido com Cristo para dizermos: “me imite!”. O desafio é parar de levar a vida na fé como brincadeira, como religião, como ritual, mas viver a intensidade de cada culto na presença de Deus, de cada estudo, de cada pregação, da comunhão da Igreja e com o Senhor. Sim, o desafio é confiar nas promessas de Deus! O desafio é viver, cada dia, pela fé.

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta… – Hebreus 12:1

Jesus ama você e te diz que resta alguma coisa a ser deixado de lado… Em seguida, Ele te chama: “Segue-me”. Jesus não deseja que você apenas leia sobre homens e mulheres de Deus, mas que você seja um! O que resta para você?

André Anéas

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1/4 – Introdução [Ser Crente Pra Valer!]

2/4 – O Homem Rico [Ser Crente Pra Valer!]

3/4 – Análise de Marcos 10:17-31 [Ser Crente Pra Valer!]

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Ser Crente Pra Valer

Análise de Marcos 10:17-31 [Ser Crente Pra Valer!]

caminho para o céuOs diálogos de Jesus com os homens são belíssimos. Sua maneira de colocar as frases, de tocar no íntimo, no mais profundo do coração humano, é única.

Alguns detalhes desta história gostaria de destacar. O primeiro deles está no verso 21:

Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. – Marcos 10:21

Em primeiro lugar, merece destaque que Jesus o amou. Olhando para este detalhe penso que podemos imaginar o tom com que o Senhor falou as palavra seguintes. Jesus teve um sentimento profundo por este homem. Quem sabe o bom Mestre viu nele uma boa intenção. Entretanto, se achar “bom” o suficiente ou ter uma “boa” intenção para ter a vida eterna definitivamente não é o caminho, pois bom é somente Deus. Ele de fato tinha interesse em Jesus. Mas o amor de Jesus não é como nosso amor, que muitas vezes omite a verdade, oculta o que há de errado. A sinceridade e verdade contida nas palavras de Jesus eram e são a maior evidência de Seu amor por nós.

Em segundo lugar, Jesus lhe diz que faltava uma coisa, neste caso, vender os bens e dar ao pobres. Esta parte da resposta foi a que mais desagradou o homem, entristecendo-o e culminando na desistência dele em ter a vida eterna que Jesus promete. Jesus o amou e lhe disse a verdade. Jesus não procurou cativar mais um discípulo. Não procurou lhe falar palavras que agradassem os ouvidos. Muito pelo contrário, deixou claro que para se ter a vida eterna é necessário não ter nada superior a Ele. As riquezas deste homem era seu “calcanhar de Áquiles”. Jesus foi no mais íntimo deste pretendente a vida eterna e encontrou algo que este homem devia se desapegar para entrar no Reino de Deus.

Terceiro, segui-lo. Provavelmente o homem rico pouco se atentou a esta parte, pois fora a necessidade de deixar tudo o que tinha que lhe entristeceu. Mas devemos destacar que seguir a Jesus era uma das condições também. O que Jesus responde é que se trata de algo muito maior do que cumprir uma regra, mas seguir Jesus, viver com Ele, aprender Dele, beber da água que Ele fornece. O que exige esforço, dedicação, uma caminhada… Um verdadeiro discipulado.

Ser discípulo de Jesus é compreender que existem implicações nesta decisão. Seguir a Jesus é um caminho de autonegação, de sacrifícios, de tomar cada um a sua cruz e seguir o Mestre. O discurso do homem da história era mais ou menos este “não mato, não roubo, não prejudico ninguém…”. Mas, ele tinha algo que dominava seu coração, que gritava mais alto que sua sede por Deus e a vida eterna.

Os discípulos ficaram perplexos, e perguntavam uns aos outros: “Neste caso, quem pode ser salvo?” – Marcos 10:26

Quando Jesus discorre sobre a dificuldade de um rico ser salvo, todos os discípulos ficam perplexos. É importante notar que Jesus chega a dizer que é muito difícil entrar no Reino de Deus. E de fato o é.

Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”. – Mateus 7:14

Ninguém melhor do que o Cristo para saber o alto preço que seria necessário se pagar para o homem entrar no Reino de Deus. Não é a toa que nos versos 32 a 34 Jesus chama os doze e lhes diz o que aconteceria com Ele.

A perplexidade dos discípulos fazia sentido. Como seria possível um homem ser salvo, sendo que nada poderia estar a cima de Jesus, inclusive as riquezas de alguém muito rico? A resposta de Cristo é que “Para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus”. Glória a Deus! Existe um caminho!

A questão é que poucos querem confiar em Deus. O que faltou para o homem rico era depositar sua fé em Jesus e não nas riquezas. Deus iria fazer o impossível e salvá-lo, mas ele teria de entregar tudo por Jesus. Quem sabe o homem pensou no trabalho que deu ajuntar sua fortuna. Quem sabe ele pensou em seu futuro, em sua família, nos filhos. Quem sabe ele pensou em sua posição. Quem sabe ele pensou que Jesus estava exagerando, que não era por ai.

Fica claro que por ser impossível não há outro meio senão pela graça de Deus. É Deus quem salva! Entretanto, mesmo não sendo necessário realizar alguma obra para salvação, faz parte deste processo nos desarmarmos e nos humilhar diante Dele. Neste momento, em que nos desarmamos compreendemos que não somos nada, que não temos nada, que merecemos o inferno, que somos pecadores, que não temos mérito, que nada é nosso por direito e que sim, devemos entregar tudo e seguir a Jesus. Devemos entender que é necessário “ser crente pra valer” e que “ser crente pra valer” é deixar aquilo que nos resta e optarmos por seguir Jesus. O cristão deve ser aquele que não possui nada além de Jesus! Nada.

Então Pedro começou a dizer-lhe: “Nós deixamos tudo para seguir-te”. – Marcos 10:28

Pedro, como de costume, toma a frente e não hesita em dizer que eles tinham deixado tudo para seguir Jesus. A forma verbal de “deixamos” deixa claro que é uma ação no passado e definitiva. Pedro e os demais de fato deixaram tudo para trás. Sua estabilidade económica, empregos, casa e família. Tudo isto pois atenderam ao chamado de Jesus, seguindo-O. O impossível aconteceu para eles. Eles estavam caminhando com Jesus, aprendendo com o bom Mestre, se transformando, deixando o que lhes restava para trás em cada descoberta daquilo que precisam deixar de lado. Eles estavam vivendo pela fé…

Gosto muito do apóstolo Pedro. Vejo nele ousadia e sinceridade. Ele é um exemplo de quem mergulhou de cabeça no seguir a Jesus. Sei bem dos erros dele. Mas Jesus nunca disse que jamais um discípulo erraria. Ele negou a Cristo, mas foi privilegiado de ter uma conversa restaurado na praia com o Cristo ressurreto. Ele fora repreendido algumas vezes, mas não deixava nenhuma oportunidade passar. Ele não teve fé suficiente para andar muito tempo sobre as águas, mas um pouco ele andou.

Acredito que discípulos como Pedro são apreciados por Jesus. Gente como a gente, que está sujeito a falhas, que tem a fé abalada por uma tempestade, que precisa de repreensão, mas que quando vê Jesus não tem medo de se expor e de ousar andar sobre as águas! Gente que não tem medo de olhar a própria vida e deixar de lado aquilo que não é o desejo do Senhor para nós. Gente que quando Jesus diz, obedece. Gente que quando Jesus manda entregar algo, entrega. Gente que acredita em Jesus, conversa com Ele e que vive debaixo de Seu senhorio. Gente que por mais que tenham coisas, sabem que não passam de coisas e que não é o mais importante. Gente que não se apega as coisas do mundo, pois o maior amor está em Cristo.

Como Jesus finaliza nos versos 29 a 31, para estes que ousam entregar tudo e “ser crente pra valer” existe sim uma recompensa: receberão cem vezes mais aquilo que deixaram. Junto disso perseguição – nesta terra – e no futuro a vida eterna!

Mas o verso 31 nos revela que quem conhece o coração do homem é Deus. Aqueles que parecem os primeiros, podem ser os últimos. E os últimos serão os primeiro. “Ser crente pra valer” não é viver de aparência. Não é agradar aos homens. Não é parecer o que não é. Jesus exige de nós verdade. “Ser crente pra valer” é ser crente em primeiro lugar no interior e depois no exterior.

André Anéas

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1/4 – Introdução [Ser Crente Pra Valer!]

2/4 – O Homem Rico [Ser Crente Pra Valer!]

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