Deus Deseja um Relacionamento Íntimo com Você! [Intimidade com Deus – De Mãos Dadas com o Senhor]


Ao olharmos o momento antes de Deus ter criado o homem, vivem o Pai, o Filho e o Espírito Santo em total comunhão, total satisfação, total intimidade, não tendo a necessidade de nada! Deus nunca precisou criar-nos para poder chegar em seu “ápice”. A Trindade sempre foi autossuficiente.

Mesmo assim, Eles decidem fazer o homem a imagem e semelhança Deles. E assim o fazem concluindo que foi algo “muito bom”. Deus não somente fez o homem, mas habitou com ele. Ao ler o relato bíblico se percebe que Deus coloca o homem em um jardim, o jardim do Éden. Ali o homem e Deus se relacionam em total intimidade, sem nenhuma vergonha. O homem e seu Criador passeavam no jardim ao entardecer, na viração do dia.

Podemos nos perguntar sobre o que eles falavam. Talvez Adão e Eva contavam como foi dia, o que eles tinham descoberto, o que eles tinham conseguido inventar, utilizando da criatividade que Deus colocou neles. Eram seres fantásticos e Deus gostava de estar ali, era apaixonado pelo homem, por sua criação. Deus via e interagia com sua criatura, com Sua imagem e Sua semelhança.

Este é o exemplo perfeito do que é o relacionamento idealizado por Deus. Um relacionamento sem medo, sem culpa, sem nenhum constrangimento, sem nada para impedir que a cada dia eles se amassem mais e mais. Desfrutavam de total liberdade para conversar, para interagir, uma comunhão perfeita.

O que me chama a atenção nesta parte da história é a maneira do Senhor mostrar para o homem o que Ele espera deste relacionamento. Em uma das manifestações da Sua graça, o Senhor coloca a árvore do bem e do mal no CENTRO do jardim e diz para o homem não comer dos frutos desta árvore. O Senhor poderia ter colocado a árvore em um local escondido, ou então, ter feito uma árvore menos atraente e com frutos menos “tentadores”, mas não. Deus coloca esta árvore no MEIO do jardim exatamente como na descrição bíblica, com frutos bons para comer a atraentes aos olhos. Nesta cena, percebemos que Deus anseia por um amor sincero, um amor genuíno.

Se o homem não tivesse opção de amar ou não amar a Deus, no que se basearia este amor? Certamente este amor não teria graça. Mais ainda, se Deus fizesse o jardim, todas as coisas da criação e o homem para tomar conta de tudo e este homem fosse programado para amar a Deus, sem opção por reconhecê-lo e amá-lo livremente, o homem seria um robô, pré-programado e o amor entre Deus e o homem seria algo artificial.

Entretanto, sabemos que a árvore estava lá, em destaque, e este fato nos revela que o anseio de Deus era que o homem o amasse livremente, espontaneamente, sinceramente e verdadeiramente. A graça aqui se torna muito mais graça, pois Deus em sua soberania faz o homem mesmo sabendo de seus erros futuros. Deus escolhe, decide fazer o homem, não abrindo mão de nada na criação, mesmo sabendo que o homem iria falhar, pois existia a possibilidade de escolha.

Ao continuarmos a observar a revelação de Deus para com o homem, vemos Deus como o Deus da aliança. Deus vai ao encontro do homem ao longo da história. Nóe, Enoque, Abraão, Isaque e Jacó, José, Moisés, Josué, Samuel, Davi, Salomão, Elias… Vemos Deus fazendo alianças, formando o seu povo, querendo que eles sejam Dele e Ele seja deles. Um Deus zeloso, cuidadoso. Um Deus que em até nos seus atos de castigo revela seu amor.

Hoje, ao contrário do início, não existe uma árvore no meio do “jardim” da nossa vida, para escolhermos pecar contra Deus. Vivemos em um mundo em que “árvores para pecar” estão espalhas em todos os lados, a nossa vista dia-a-dia, desde o dia em que nascemos. Porém, hoje Deus coloca no centro deste “jardim” (ou selva) a cruz de Cristo, inclusive dividindo a história. Para todo aquele que crer tenha a vida eterna e possa voltar a se relacionar com Deus. O povo de Deus, os cristãos, são a luz para este mundo, e luz chama a atenção. Em mais uma manifestação de Sua graça, a maior, Deus deixa em evidência a morte do Seu único filho para que TODO aquele que Nele crer não se perca, mas tenha a salvação.

Deus continua querendo se relacionar com o homem. Diante de Deus todos já são indesculpáveis, pois toda criação revela Deus. Mesmo assim, o último ato de Deus para humanidade é um acontecimento único e inesperado, por se tratar de uma divindade. Quem poderia dizer que Deus morreria por você? Quem poderia dizer que Deus entregaria tudo o que tem, para morrer uma morte tão catastrófica por seres que escolheram se rebelar? Mesmo assim, Ele o fez por nós, em prol de um relacionamento sincero, de amor. Se percebe que Deus nos ama não somente por ter nos criado, mas por nunca ter desistido de se relacionar conosco, chegando a sua expressão máxima quando Cristo morre em nosso lugar. Novamente vemos que a morte de Cristo na cruz é um ato de graça, mas que ultrapassa nossa compreensão uma vez que muitos à ignoram, mesmo estes sendo alvos do amor do Senhor.

Quando olhamos para tudo o que Deus fez na história, seria correto afirmarmos que o nível de intimidade que Ele deseja ter conosco é de alguma maneira diferente do “nível máximo”? Acredito que não. Quando olho a revelação bíblica vejo Deus em toda sua glória se esvaziando de si mesmo para ter um encontro com a humanidade. Mas não um encontro qualquer. Um encontro do Deus Santo com seu povo. Vejo um Deus Santo que age na história para se relacionar conosco de maneira íntima, profunda e eterna!

Sabemos que Deus deseja um relacionamento íntimo conosco. Porém, no que implica ter um relacionamento íntimo com Deus?

André Aneas

[acompanhe esta série de posts sobre Intimidade com Deus]

1/6 – Relacionamentos Humanos [Intimidade com Deus]

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Intimidade com Deus

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O Que É um Arminiano?

Um pouco do que penso sobre este assunto. Infelizmente não encontrei a fonte original, para ter certeza que foi escrito por John Wesley, mas com certeza pode ter sido.

Deus abençoe sua vida!

André Aneas

Por John Wesley

1. Se alguém diz “esse homem é um arminiano”, o efeito que estas palavras produzem nos ouvintes é o mesmo que se tivesse dito “esse cão é raivoso”. Sentem pânico e fogem dele a toda velocidade, e não se deteriam a menos que seja para atirar pedras no temível e perigoso animal.

2. Quanto mais incompreensível é a palavra, melhor. As pessoas que recebem esta designação não sabem o que fazer: como não sabem o que quer dizer, não estão em condições de se defenderem ou de demonstrar que são inocentes das acusações contrárias. Não é fácil acabar com preconceitos enraizados em pessoas que não sabem outra coisa, exceto que se trata de “algo muito ruim” ou de algo que representa “todo o mau”.

3. Portanto, esclarecer o significado desta terminologia pode ser útil para muitos. Aos que com demasiada facilidade aplicam o termo aos outros, para impedir que utilizem termos cujo significado desconhecem; aos ouvintes, para que não sejam enganados por pessoas que não sabem o que dizem; e aqueles que recebem a designação de “arminianos”, para que saibam como se defender.

4. Em primeiro lugar, creio ser necessário esclarecer que muitos confundem “arminiano” com “ariano”. Porém, trata-se de algo completamente diferente; não há semelhança entre um e outro. Um ariano é alguém que nega a divindade de Cristo. Creio que não há necessidade de esclarecer que nos referimos a sua filiação com o supremo, eterno Deus, já que não há outro Deus fora dele (a menos que se decida fazer dois Deuses: um grande e um pequeno). No entanto, ninguém jamais creu com maior firmeza, ou afirmou com maior convicção, na divindade de Cristo, que muitos dos assim chamados arminianos, e assim seguem fazendo até o dia de hoje. Portanto, o arminianismo (seja o que for) é completamente diferente do arianismo.

5. A origem da palavra remonta a Jacó Harmens, em latim, Jacobus Arminius, que foi ministro ordenado em Amsterdã e, mais tarde, professor de teologia em Leyden. Tendo estudado em Genebra, em 1591 começou a duvidar dos princípios que lhe haviam ensinado até então. Cada vez mais convencido do erro dos mesmos, quando foi nomeado professor, começou a ensinar e a tornar público o que ele considerava ser a verdade, até falecer em paz no ano de 1609. Poucos anos após a morte de Armínio, alguns fanáticos, liderados pelo Príncipe de Orange, atacaram furiosamente a todos que afirmavam ou consideravam suas ideias. Tendo sido esse modo de pensar formalmente condenado no famoso Sínodo de Dort (menos numeroso e erudito que o Concílio ou Sínodo de Trento, mas tão imparcial como aquele), algumas dessas pessoas foram mortas, outras exiladas, algumas condenadas a prisão perpétua, todos eles perderam seus postos de trabalho e foram proibidos de ocupar qualquer cargo público ou eclesiástico.

6. As acusações apresentadas pelos opositores contra essas pessoas (normalmente chamadas de arminianos) eram cinco: (1) negar o pecado original; (2) negar a justificação pela fé; (3) negar a predestinação absoluta; (4) negar que a graça de Deus é irresistível, e (5) afirmar que é possível que um crente se aparte da graça.

À respeito das primeiras acusações, estas pessoas, se declaram inocentes. As acusações são falsas. Ninguém, nem o próprio João Calvino, afirmou a ideia do pecado original ou da justificação pela fé de maneira mais decisiva, mais clara e explícita que Armínio. Esses pontos estão, por tanto, fora de discussão; há acordo entre ambas as partes. Sobre isso, não há a menor diferença entre o Sr. Wesley e o Sr. Whitefield.

7. No entanto, há uma clara diferença entre os calvinistas e os arminianos em relação aos outros três pontos. Aqui as opiniões se dividem, os primeiros creem em uma predestinação absoluta e os últimos somente numa predestinação condicional. Os calvinistas afirmam que: (1) Deus decretou com caráter absoluto, desde toda a eternidade, que certas pessoas se salvariam e outras não, e que Cristo morreu por elas e por ninguém mais. Os arminianos afirmam que Deus decretou, desde toda a eternidade, tocante a todos que têm sua Palavra escrita, que quem crer será salvo; mas quem não crer, será condenado.[1] Para cumprir isso, Cristo morreu por todos[2], por todos que estavam mortos em seus delitos e pecados[3], ou seja, por todos e cada um dos filhos de Adão, já que em Adão todos morreram[4].

8. Em segundo lugar, os calvinistas afirmam que a graça de Deus que opera para salvação é absolutamente irresistível; que ninguém pode resisti-la assim como não se pode resistir a descarga elétrica de um raio. Os arminianos afirmam que, embora haja momentos em que a graça de Deus atue de maneira irresistível, contudo, geralmente, qualquer pessoa pode resistir (e assim se perder para sempre) a graça mediante a qual Deus desejava outorgar-lhe salvação eterna.

9. Em terceiro lugar, os calvinistas afirmam que um verdadeiro crente em Cristo não pode se apartar da graça. Os arminianos, diferentemente, afirmam que um verdadeiro crente pode naufragar na fé na boa consciência[5]. Creem que o crente não só pode cair novamente na corrupção, mas que essa queda pode ser definitiva, de modo que se perca eternamente.

10. Esses dois últimos pontos, a graça irresistível e a infalibilidade da perseverança, são, sem dúvida, a consequência natural do ponto anterior, a predestinação incondicional. Se Deus decretou com caráter absoluto, desde a eternidade, que só se salvariam determinadas pessoas, isso significa que tais pessoas não podem se opor a sua graça salvífica (pois de outro modo perderiam a salvação), e visto que não podem resistir, tampouco podem se desviar dessa graça. De modo que, finalmente, as três perguntas são reduzidas a uma: A predestinação é absoluta ou condicional? Os arminianos creem que é condicional; os calvinistas, que é absoluta.

11. Acabemos, pois, com toda essa ambiguidade! Acabemos com as expressões que só servem para criar confusão! Que as pessoas sinceras digam o que sintam, e que não se brinque com palavras difíceis cujo significado se desconhece. Como é possível que alguém que não leu uma única página escrita por Armínio saiba quais eram suas ideias? Que ninguém levante a voz contra os arminianos antes de saber o que esta palavra significa, só então saberá que arminianos e calvinistas estão no mesmo nível. Os arminianos tem tanto direito de estar irados com os calvinistas como os calvinistas com os arminianos. João Calvino era um homem estudioso, piedoso e sensato, igual a Jacó Armínio. Muitos calvinistas são pessoas estudiosas, piedosas e sensatas, igual a muitos arminianos. A única diferença é que os primeiros afirmam a doutrina da predestinação absoluta, e os últimos, a predestinação condicional.

12. Uma última palavra: Não é dever de todo o pregador arminiano, primeiramente, nunca utilizar em público ou em privado, a palavra calvinista em termo de descrédito, tendo em conta que isso equivaleria a por rótulos ou julgamentos? Tal prática não compatível com o cristianismo nem com o bom senso ou os bons modos. Em segundo lugar, não deveria fazer tudo o que está ao seu alcance para impedir que o façam os ouvintes, demonstrando-lhes que isto é um pecado e uma tolice? Não é, assim mesmo, dever de todo o pregador calvinista, primeiramente, nunca utilizar em público ou em privado, a palavra arminiano em termo de descrédito? E em segundo lugar, não deveria fazer tudo o que está ao seu alcance para impedir que o façam os ouvintes, demonstrando-lhes que se trata de um pecado e uma tolice ao mesmo tempo? No caso de já estarem habituados a fazê-lo, maior empenho e esforço deverá se por para erradicar essa conduta que, talvez, tenha sido encorajada pelo próprio exemplo do pregador!

Notas:

[1] Mc 16.16

[2] 2 Co 5.15

[3] Ef 2.1

[4] 1 Co 15.22

[5] 1 Tm 1.19