Contexto e história de Elias no monte Carmelo [Cristãos Imprevisíveis]

monte carmelo

Leitura: 1 Reis 18

Israel fora dividido em dois reinos: Sul e Norte. O Reino do Sul, embora tenha tido alguns reis ruins, um povo por vezes rebelde, surdo para voz profética do Senhor e tendo acabado exilado na Babilônia, foi agraciado por Deus para que dali surgisse a geração de Davi, da qual viria o Senhor dos senhores. Além disso, vemos no Reino do Sul um pouco de esperança para que o povo guarde os caminhos do Senhor e a aliança. Quando olhamos para o Reino do Norte, diferente do Sul (Judá), vemos que não há esperança de que a aliança com Deus de Abraão fosse mantida. Ali não houve sequer um rei bom. Todos se desviaram dos caminhos de Deus e desonraram a aliança com o Todo-Poderoso. Não foi a toa que o Reino do Norte desapareceu.

Dentre todos os reis que houve no Reino do Norte gostaria de destacar Acabe. Acabe fez algo terrível em seu reinado: se casou com Jezabel. Além de ter as mesmas práticas abomináveis de Jeroboão, adoração em um local diferente de Jerusalém e a outros deuses, Acabe de casara com a filha de Etbaal, que prestava culto a Baal. Ele não se importava em cometer os pecados que Jeroboão cometia, se tornou um adorador de Baal, fez um poste sagrado e acabou por provocar a ira do Senhor mais do que todos os reis antes dele.

Neste período, o povo em Israel vivia debaixo da mais profunda cegueira espiritual. Seu líder, Acabe, fez alianças com outros deuses e se deixara influenciar pela mulher Jezabel. Percebemos pela leitura bíblica que Jezabel tinha muito poder em seu reinado, a ponto de dar ordens para exterminar os profetas de Deus. Muitos estavam morrendo ao fio da espada naquele momento. Pela graça de Deus restavam profetas e pessoas fiéis a Deus, porém escondidos.

O profeta Elias é contemporâneo de Jezabel e Acabe. Ele era muito famoso nesta época e com certeza estava na boca de Acabe e sua mulher, pois era considerado um “perturbador” em Israel. Afinal de contas, Israel passava um período de seca devastadora e o próprio profeta havia predito que não choveria em Israel, de maneira muito ousada e para o próprio Acabe (1 Reis 17:1). Definitivamente ele era uma ameaça e o queriam morto o quanto antes, semelhantemente aos demais profetas assassinados.

Como está relatado em 1 Reis 18-46, Elias enfrentou uma situação peculiar e muito famosa: o grande desafio no monte Carmelo. Precisamos ter em mente que Elias estava sozinho, não tinha “colega” profeta. Era ele e Deus. Mesmo assim, como homem e profeta temente ao Senhor e obediente, atendeu a voz de Deus que lhe disse para ir ao encontro de Acabe. Isso mesmo, ir ao encontro do REI de Israel, marido de Jezabel, ambos adoradores de Baal, que estavam “loucos” para matá-lo. E ele foi. Ao se deparar com um servo de Acabe, Obadias, e solicitar estar na presença do rei, o servo nega, pois temendo a morte, tem sérias preocupações de que Elias não se apresentasse na “reunião”, pois Obadias sabia que Elias era movido pelo Espírito de Deus (1 Reis 18:12), o qual podia levá-lo para onde quisesse. Elias era imprevisível. Alguém totalmente submetido a vontade do Senhor. No final das contas o encontro acabou acontecendo, pois Elias jurara pelo nome do SENHOR que se apresentaria a Acabe naquele mesmo dia.

O versículo 16 diz que Acabe foi em direção de Elias. A Septuaginta chega a colocar que ele fora correndo ao encontro do profeta, provavelmente devido a tamanha ansiedade por vê-lo e pelo longo tempo de procura ou “caça”. Acabe sabia tudo o que Elias representava. No diálogo entre os dois, o profeta confronta os pecados do rei Acabe e de maneira ousada e de forma imprevisível dá uma ordem ao rei: ir ao monte Carmelo, junto de 450 profetas de Baal e de 400 profetas de Aserá (deidade feminina), junto de todo povo de Israel. E assim foi, todos se reuniram no monte Carmelo.

Elias, se dirigiu ao povo e disse de maneira clara para todos deixarem de oscilar. “Se o SENHOR é Deus, sigam-no; mas, se Baal é Deus, sigam-no”. Em outras palavra pediu para que o povo tomasse uma decisão. Ou seja, exortou o povo a sair de “cima do muro”.

Muito provavelmente Elias se considerava o único profeta restante por estar totalmente só naquela situação e por perceber que somente ele estava (naquele momento) exercendo o ministério profético. Mesmo assim, ele faz um grande desafio aos sacerdotes de Baal e de Aserá: clamar, cada um a seu Deus, para que haja uma resposta com fogo! O Deus que respondesse com fogo, este seria Deus. Todos concordaram e assim fizeram.

Entretanto, desde a manhã até o meio-dia, nem Baal nem Aserá responderam. Foi ai que Elias começou a zombar deles. “Gritem mais alto!”, “Quem sabe ele está ocupado, meditando ou viajando?”, “Talvez esteja dormindo e precise ser despertado”. Até o período da tarde, mesmo contando com automutilações dos próprios sacerdotes, nada do deus deles responder. Então Elias, chamou o povo mais para perto, quis mostrar ao povo através de símbolos a ligação deles com o SENHOR, e após orar à Deus, fogo consumiu o holocausto.

Ao final, o povo caiu prostrado e reconheceram que o SENHOR era Deus. Os profetas de Baal foram presos e mortos.  De maneira tremenda a chuva voltou a cair em Israel, com Elias prostrado com o rosto entre os joelhos no alto do monte Carmelo.

André Anéas

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