À procura de Jesus (37-38) [Por que se entregar a Deus?]

procuraÉ nesta circunstância que uma mulher, pecadora, fica sabendo que Jesus está na casa do fariseu. Naquele época, um jantar era um evento no qual as pessoas tinham acesso ao recinto onde a comida era servida. Não é de se estranhar que uma mulher não convidada teve acesso ao local em que Jesus estava. Através do texto, entendemos que Jesus estava reclinado à mesa. As mesas eram baixas e as pessoas se reclinavam a elas, deixando os pés para fora. Por esta razão é que a mulher consegue se colocar atrás de Jesus a seus pés.

O ato da mulher para com Jesus nos revela uma das cenas mais comoventes e de maior expressão de amor relatada nos evangelhos. Ela molha os pés de Jesus com suas muitas lágrimas, enxuga os pés do Mestre com seus cabelos, beija-os muitas vezes e por fim os unge com perfume contido em um frasco de alabastro.

Precisamos observar alguns detalhes desta história. Em primeiro lugar, se trata de uma mulher pecadora que se expõe em um contexto em que o homem possuía maior relevância. Em segundo, pela própria exposição que a mulher se coloca. Sem se importar com a opinião alheia, com os olhares “atravessados”, com o ar de acusação e repúdio que a cena deve ter causado. Em terceiro, pelos beijos dados nos pés de Jesus. E em quarto, por ela investir um frasco de alabastro com perfume para ungir os pés de Jesus. Se tratava de um artefato muito caro.

É preciso falar acerca da situação que a mulher se encontrava. Chorando de maneira compulsiva, pois as lágrimas deram conta de molhar os pés do Mestre. Este detalhe nos traz a tona o desespero que a mulher se encontrava. Pelas características que o texto revela, esta mulher, muito provavelmente, era uma prostituta (daí o termo “pecadora” empregado a ela). Isto nos mostra que ela estava no fundo do poço. Ao descobrir que Jesus estava ali, é como se ela soubesse que Ele era a resposta para suas ansiedades. Ele era a esperança que ela não possuia. Jesus representava mudança e recomeço. Jesus representava o sentido à vida para aqueles que não tinham razão alguma de ser. Jesus podia “dar um jeito” nos pecados cometidos por ela, na dívida impagável e alta. O problema não era simplesmente a marginalização que a mulher se encontrava, mas o peso do pecado sobre os ombros dela. Ela sabia que era pecadora, sabia que estava errada, mas ela não tinha saída no sistema religioso da época, o qual não fornecia uma alternativa.

Podemos dizer que o ato de adoração à Jesus, oferecido pela mulher, expressa uma entrega total de uma pessoa que não possui amor próprio, mas reconhece em outro, no caso Jesus, um digno de receber TUDO o que ainda lhe resta. Ela não guardou para si uma porção de amor, ao contrário, ofereceu tudo o que possui para Jesus, pois encontrou Nele alguém único e especial.

Jesus não havia morrido ainda por Ela na cruz do calvário, mas mesmo assim Ele transparecia, tanto para mulher como para outros, alguém que representava a graça e misericórdia de Deus. E mesmo sem o ato de amor de Jesus para humanidade ser consumado, ela se humilha perante o Mestre. E, prostrada, faz um ato de adoração genuíno, de alguém com amor sincero. Ela se transforma em NADA, mesmo não sendo muito, por amor do Senhor. Ela entende que Jesus é a boa notícia, alias, MUITO boa notícia.

André Anéas

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1/8 – Introdução [Por que se entregar a Deus?]

2/8 – “Entrega” [Por que se entregar a Deus?]

3/8 – Um convite inesperado? (36) [Por que se entregar a Deus?]

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Por que se entregar a Deus?

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Deus Deseja um Relacionamento Íntimo com Você! [Intimidade com Deus – De Mãos Dadas com o Senhor]


Ao olharmos o momento antes de Deus ter criado o homem, vivem o Pai, o Filho e o Espírito Santo em total comunhão, total satisfação, total intimidade, não tendo a necessidade de nada! Deus nunca precisou criar-nos para poder chegar em seu “ápice”. A Trindade sempre foi autossuficiente.

Mesmo assim, Eles decidem fazer o homem a imagem e semelhança Deles. E assim o fazem concluindo que foi algo “muito bom”. Deus não somente fez o homem, mas habitou com ele. Ao ler o relato bíblico se percebe que Deus coloca o homem em um jardim, o jardim do Éden. Ali o homem e Deus se relacionam em total intimidade, sem nenhuma vergonha. O homem e seu Criador passeavam no jardim ao entardecer, na viração do dia.

Podemos nos perguntar sobre o que eles falavam. Talvez Adão e Eva contavam como foi dia, o que eles tinham descoberto, o que eles tinham conseguido inventar, utilizando da criatividade que Deus colocou neles. Eram seres fantásticos e Deus gostava de estar ali, era apaixonado pelo homem, por sua criação. Deus via e interagia com sua criatura, com Sua imagem e Sua semelhança.

Este é o exemplo perfeito do que é o relacionamento idealizado por Deus. Um relacionamento sem medo, sem culpa, sem nenhum constrangimento, sem nada para impedir que a cada dia eles se amassem mais e mais. Desfrutavam de total liberdade para conversar, para interagir, uma comunhão perfeita.

O que me chama a atenção nesta parte da história é a maneira do Senhor mostrar para o homem o que Ele espera deste relacionamento. Em uma das manifestações da Sua graça, o Senhor coloca a árvore do bem e do mal no CENTRO do jardim e diz para o homem não comer dos frutos desta árvore. O Senhor poderia ter colocado a árvore em um local escondido, ou então, ter feito uma árvore menos atraente e com frutos menos “tentadores”, mas não. Deus coloca esta árvore no MEIO do jardim exatamente como na descrição bíblica, com frutos bons para comer a atraentes aos olhos. Nesta cena, percebemos que Deus anseia por um amor sincero, um amor genuíno.

Se o homem não tivesse opção de amar ou não amar a Deus, no que se basearia este amor? Certamente este amor não teria graça. Mais ainda, se Deus fizesse o jardim, todas as coisas da criação e o homem para tomar conta de tudo e este homem fosse programado para amar a Deus, sem opção por reconhecê-lo e amá-lo livremente, o homem seria um robô, pré-programado e o amor entre Deus e o homem seria algo artificial.

Entretanto, sabemos que a árvore estava lá, em destaque, e este fato nos revela que o anseio de Deus era que o homem o amasse livremente, espontaneamente, sinceramente e verdadeiramente. A graça aqui se torna muito mais graça, pois Deus em sua soberania faz o homem mesmo sabendo de seus erros futuros. Deus escolhe, decide fazer o homem, não abrindo mão de nada na criação, mesmo sabendo que o homem iria falhar, pois existia a possibilidade de escolha.

Ao continuarmos a observar a revelação de Deus para com o homem, vemos Deus como o Deus da aliança. Deus vai ao encontro do homem ao longo da história. Nóe, Enoque, Abraão, Isaque e Jacó, José, Moisés, Josué, Samuel, Davi, Salomão, Elias… Vemos Deus fazendo alianças, formando o seu povo, querendo que eles sejam Dele e Ele seja deles. Um Deus zeloso, cuidadoso. Um Deus que em até nos seus atos de castigo revela seu amor.

Hoje, ao contrário do início, não existe uma árvore no meio do “jardim” da nossa vida, para escolhermos pecar contra Deus. Vivemos em um mundo em que “árvores para pecar” estão espalhas em todos os lados, a nossa vista dia-a-dia, desde o dia em que nascemos. Porém, hoje Deus coloca no centro deste “jardim” (ou selva) a cruz de Cristo, inclusive dividindo a história. Para todo aquele que crer tenha a vida eterna e possa voltar a se relacionar com Deus. O povo de Deus, os cristãos, são a luz para este mundo, e luz chama a atenção. Em mais uma manifestação de Sua graça, a maior, Deus deixa em evidência a morte do Seu único filho para que TODO aquele que Nele crer não se perca, mas tenha a salvação.

Deus continua querendo se relacionar com o homem. Diante de Deus todos já são indesculpáveis, pois toda criação revela Deus. Mesmo assim, o último ato de Deus para humanidade é um acontecimento único e inesperado, por se tratar de uma divindade. Quem poderia dizer que Deus morreria por você? Quem poderia dizer que Deus entregaria tudo o que tem, para morrer uma morte tão catastrófica por seres que escolheram se rebelar? Mesmo assim, Ele o fez por nós, em prol de um relacionamento sincero, de amor. Se percebe que Deus nos ama não somente por ter nos criado, mas por nunca ter desistido de se relacionar conosco, chegando a sua expressão máxima quando Cristo morre em nosso lugar. Novamente vemos que a morte de Cristo na cruz é um ato de graça, mas que ultrapassa nossa compreensão uma vez que muitos à ignoram, mesmo estes sendo alvos do amor do Senhor.

Quando olhamos para tudo o que Deus fez na história, seria correto afirmarmos que o nível de intimidade que Ele deseja ter conosco é de alguma maneira diferente do “nível máximo”? Acredito que não. Quando olho a revelação bíblica vejo Deus em toda sua glória se esvaziando de si mesmo para ter um encontro com a humanidade. Mas não um encontro qualquer. Um encontro do Deus Santo com seu povo. Vejo um Deus Santo que age na história para se relacionar conosco de maneira íntima, profunda e eterna!

Sabemos que Deus deseja um relacionamento íntimo conosco. Porém, no que implica ter um relacionamento íntimo com Deus?

André Aneas

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1/6 – Relacionamentos Humanos [Intimidade com Deus]

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Intimidade com Deus

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A Queda do Homem (economicamente falando)

Graça e paz!

Gostaria de compartilhar uma reflexão que fiz em uma das minhas aulas de economia na faculdade de administração. Este blog “fala sobre o Reino de Deus” e mesmo em um assunto que, aparentemente, não se encontra Deus, Ele está lá!

A reflexão é sobre a carência que nosso sistema econômico tem do Todo Poderoso, realidade claramente exposta pela falha humana em gerir a economia. Não sei o que o professor da matéria achou do texto, mas o fato é que sem Deus não dá (inclusive na economia)!

Boa leitura!

Olhando para o mundo atual é possível perceber, em minha opinião, o quão longe estamos de aceitar as críticas de Chesnais ou de ter as ações que Gilpin sugere. Existe uma grande névoa que não nos permite enxergar a realidade dos fatos. A mentira virou verdade faz tempo e contrariar uma “verdade” que o mundo todo acredita pode beirar a loucura.

Fato é que as idéias de Chesnais são, em uma análise superficial, ideais para todos os países. O socialismo é uma teoria excelente, porém depende de um fator para seu sucesso: o homem. Viver da maneira como o socialismo exige não é simplesmente realizar uma troca de sistema econômico, mas sim trocar a ideologia de vida de uma nação. Para se viver em um sistema socialista, as pessoas que compõem o sistema devem estar engajadas e felizes por fazerem parte deste ideal. Caso contrário, a frustração alimentada pelo desejo do direito de ter mais que o próximo irá prevalecer e, no mais tardar, as gerações seguintes darão conta de sucumbir com o sistema. Como controlar a massa composta por homens instáveis?

Outra esfera de análise seria o próprio Estado, que sem dúvida seria tentado por diversas vezes a ceder aos desejos “carnais” de abrir exceções de sua própria ideologia ou se viria obrigado a contrapor na força um povo frustrado e ansioso por uma “coca-cola”. O cenário econômico não se adequaria ao socialismo, porém, nada melhor do que um sonhador de um mundo novo (ou velho?), como Chesnais, para nos levar a abrir os olhos da verdade que um dia foi mentira.

Da mesma maneira, Gilpin propõem ações excelentes para um mundo capitalista. Com ideologias bem diferentes das de Chesnais, Gilpin procura “jogar o jogo” de uma maneira mais ética. Sem realizar incentivos diretos a nenhuma empresa, o que alimentaria ainda mais o sistema capitalista especulativo que vivemos, Gilpin propõem ações bem longe de serem diretas, mas que sem dúvida alguma, tornariam o processo de competitividade muito mais humano, incentivando e formando pessoas capacitadas a fortalecerem seus países. Algo muito benéfico. Porém, diria o Tio Sam: “Time is money!”. Os capitalistas não teriam tanto tempo assim, ou pior, teriam outras opções mais vantajosas monetariamente, que exigiriam menor tempo e produziriam muito, mas muito menos benefícios para os seres humanos “mortais”.

O mundo atual é cruel. Trata-se de algo que praticamente obriga o ser humano a pensar somente em si mesmo. O pior de tudo isso é a causa dos problemas deste mundo: o próprio homem egoísta, sedento por dinheiro e por amá-lo mais e mais. Analisando friamente não vejo muitas saídas. Percebo que as análises deste mundo nos levarão a discussões intermináveis. Embora existam exemplos isolados de prosperidade, como os países nórdicos da Europa, eles não passam de exemplos isolados, que estão muito longe de refletir uma realidade mundial. Vamos destruir o resto do mundo – e conseqüentemente a maioria problemática – para restar somente as pessoas que pensam de uma maneira que dá certo? Acho que não chegamos a este extremo ainda. Resumindo, estamos em um beco sem saída, pois nós mesmos, motivados por sentimentos que não beneficiam o coletivo, nos colocamos aqui.

Acredito que este é o grande passo que todos nós – humanos – precisamos dar: reconhecer que erramos, e muito! Chesnais nos ajuda a enxergar, devido a sua ótica contrariar ao berço capitalista. Gilpin, a pensar em como colaborar de uma maneira menos “artificial”, devido a seu conservadorismo. Porém, sempre somos levados a encarar um mundo que não dá certo em sua totalidade. Um sistema econômico em que há especulação sobre os problemas, mas não respostas. Um mundo em que há injustiça e soluções para ela, mas sempre paliativas. Um mundo em que nós somos nossos próprios inimigos. Um mundo que não tem saída por nossas forças, pois depende exclusivamente de uma força externa. Conceitos como misericórdia e graça deveriam ser melhor explorados num mundo como o nosso, pois teríamos chances reais de êxito.

André Aneas

Para saber mais:

François Chesnais / Robert Gilpin